O quinto carro da Beija-Flor traz uma negra costurando uma bandeira do Brasil. Uma reposta ao clássico quadro “A Pátria”, de Pedro Bruno, de 1919, que só traz personagens brancas.

Carro alegórico no desfile da Beija Flor no Carnaval de 2023
Quadro “A Pátria”, de Pedro Bruno, 1919

O quadro de Pedro Bruno sugere uma visão eurocêntrica da nação brasileira, que não reflete a diversidade cultural e étnica que compõe a história do país. Além disso, a imagem de pessoas costurando uma bandeira pode passar a mensagem de que a construção da nação brasileira é um projeto unicamente de pessoas brancas, reforçando a ideia equivocada de que a história do Brasil é uma história de brancos colonizadores que “civilizaram” o país.

O quadro foi encomendado pelo governo brasileiro para ser exibido na Exposição do Centenário da Independência, realizada em 1922. A exposição foi organizada para celebrar o centenário da independência do Brasil, proclamada em 7 de setembro de 1822.

“A Pátria” foi um dos destaques da exposição e foi muito elogiada pela crítica e pelo público. A obra foi considerada um símbolo do patriotismo e da identidade nacional brasileira, além de ser uma expressão da arte acadêmica que predominava na época.

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A escola de samba Beija Flor mostrou-nos como a arte e a cultura pode ser intencionalmente pedagógica. Portanto, antes de criticar essa festa popular (os motivos são compreensíveis), experimente pesquisar o que está por trás de cada enredo. Será uma verdadeira aula de História para refletir sobre os temas contemporâneos.

Sheila Rocha

VAMOS FALAR DE ARTE, TECNOLOGIA E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL?