A troca social promovida na Educação pela Arte não é possível quando diante de uma educação bancária (Lins, 2011). O conceito de que o conhecimento é “transmitido”, que emana de uma autoridade superior e que deve ser aceito sem questionamento, ou que tem uma função basicamente mercadológica, é justamente o oposto ao conceito de “pedagogia para a liberdade” (Freire, 2015), abordagem esta intrínseca ao exercício artístico.
Esta abordagem sobre a aprendizagem trata, por um lado, o educando como protagonista do seu processo de desenvolvimento, e do por outro lado, o educador como responsável em aumentar a autonomia crítica dos estudantes, sem desprezar as suas relações afetivas, emoções, críticas e questionamentos. Pode-se dizer que há intencionalmente uma preocupação mais holística sobre os processos cognitivos do ato de aprender.
Uma educação significativa, ancorada nas artes, instiga o aluno a lidar com emoções que transitam entre dois polos, o da realidade e o da fantasia. Tal trânsito desencadearia o processo catártico que culminaria na solução de um determinado problema. Esse resultado é a presença efetiva de uma postura crítica e emancipadora, consequentemente formadora de um indivíduo mais feliz diante da sua participação na sociedade.
Não há como concretizar uma cultura da criticidade sem a aplicação de novas metodologias de aprendizagem e sem a quebra de paradigmas. Há de se respeitar por exemplo, as novas tecnologias e as relações entre educação e humanismo. Sendo, o fenômeno da aprendizagem uma realidade cotidiana (Lins, 2011), é importante que o ato de estudar esteja presente de forma espontânea na vida do educando, que ele não seja consumido pela doutrina da quantidade de páginas lidas, mas como cita Freire, que ele descubra o estudar não como um ato de consumir ideias, mas de criá-las e recriá-las (Freire, 1981). Diante dessa proposta, a Educação pela Arte, apresenta inúmeras possibilidades de abordagem para manter o educando verdadeiramente interessado em estabelecer relações entre objeto e conhecimento, e não apenas memorizá-lo.
Neste contexto integralista sobre a aprendizagem a prática de uma Educação pela Arte torna-se uma ferramenta poderosa de cidadania. A arte possibilita experimentação e apresenta-se como fundamental para formular hipóteses. Vivências artísticas como a pintura, música, dança, literatura e teatro criam uma abordagem integral da realidade que fornece uma educação dos sentidos em que se baseiam a consciência, a inteligência e o raciocínio do indivíduo.
A aprendizagem significativa tem fundamentação nos estudos biológicos e psicológicos da cognição que indica no ato de aprender uma intervenção direta do aluno, numa combinação entre pensamento, sentimentos e ação. Esta combinação é o que forma o significado da experiência.
Tradicionalmente, viam-se aspetos intelectivo, sensitivo e ativo como componentes diferentes do ser humano, porém jamais foi clara esta separação entre corpo e mente, ou corpo e alma (Marco et al., 2000).
Segundo a teoria da aprendizagem significativa de Ausubel, para que os alunos possam construir estruturas mentais e descobrir/redescobrir outros conhecimentos é preciso valorizar o seu repertório de conhecimentos prévios. Para o autor da teoria, é possível fazer emergir uma aprendizagem prazerosa e eficaz (Rev & Pec, 2001).
Artigo de Sheila Rocha para a disciplina Desenvolvimento e Educação, do Mestrado de Educação e Lazer, da Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC)

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